Atualizações legais

O projeto montenegrino cria uma residência por 250.000 euros e o artigo nomeia apenas cidadãos da União

Um projeto entregue a 1 de setembro de 2026 cria o artigo 70g: residência e trabalho por três anos com 250.000 euros investidos, só para cidadãos da UE.

Rohat Kahraman· 7 de setembro de 2026· 6 min de leituraAtualizado · 7 de setembro de 2026
O projeto montenegrino cria uma residência por 250.000 euros e o artigo nomeia apenas cidadãos da União

Situação a 7 de setembro de 2026. Estado: Em tramitação (projeto). Ato: Predlog zakona o izmjenama i dopunama Zakona o strancima (projeto de lei que altera a lei dos estrangeiros), EPA 1181 XXVIII, número de ato 24-3/26-3, entregue pelo Governo do Montenegro a 1 de setembro de 2026 e remetido às comissões a 2 de setembro de 2026 (processo consultado em 07.09.2026). Lei alterada: Zakon o strancima, «Sl. list CG» n.os 12/18, 3/19, 86/22, 77/24, 3/26 e 33/26.

Quem nos escreve de Lisboa, do Porto ou de São Paulo costuma chegar com a mesma pergunta: existe um valor que abra a residência no Montenegro? Até agora a resposta era não, porque a lista de motivos de residência temporária não inclui o investimento. Um projeto que está em duas comissões altera isso num ponto estreito, e esse ponto abre-se conforme o passaporte.

O que diz o texto

O artigo 8.º do projeto insere um novo artigo 70g, com a epígrafe Zapošljavanje državljanina EU zbog investiranja u Crnoj Gori. Fica logo depois do artigo 70v, no bloco das autorizações de residência e trabalho, e está redigido como subtipo do motivo «trabalho» já existente.

ElementoNovo artigo 70g conforme o projeto
Quem pode pedirCidadão da UE que seja preduzetnik (empresário em nome individual) ou proprietário de uma sociedade
InvestimentoPelo menos 250.000 euros no Montenegro
Formas admitidasEntrada direta de capital em sociedade recém-constituída ou existente registada no Montenegro; aquisição de quota nessa sociedade; depósito em conta escrow até ser afetado a um projeto empresarial aprovado, sempre com prova da origem do dinheiro
Condições aplicadasArtigo 43.º, n.º 1, alíneas 4 a 8 apenas
ValidadeAté três anos, prorrogável por mais três
Pedido de prorrogaçãoNo máximo 30 dias antes do termo, ao ministério do lugar de estadia
Documentos na prorrogaçãoPassaporte válido ou documento de identidade emitido por autoridade de Estado-membro da UE, mais prova dos investimentos realizados
FamíliaOs membros do agregado próximo podem juntar-se por reagrupamento
Presença exigidaPelo menos 15 dias de estadia no Montenegro durante a validade

Ponha essa lista ao lado do artigo 43.º e o essencial salta à vista. As alíneas 4 a 8 são o documento de viagem válido pelo menos três meses além da estadia concedida, a inexistência de proibição de entrada, a inexistência de condenação efetiva superior a seis meses no Montenegro e no país de origem, e a inexistência de impedimento por segurança nacional ou interna e por saúde pública. Ficam fora da remissão as alíneas 1, 2 e 3: meios de subsistência, alojamento assegurado e seguro de saúde. Também a alínea 9, porque a prova de investimento toma o seu lugar. Os artigos irmãos fazem-no de outra maneira: o 70a para o setor informático, o 70b para a saúde e o 70v para o trabalho doméstico exigem «as condições do artigo 43.º» sem retirar nada.

O resto do projeto dirige-se a empregadores e transportadores e não pergunta pela nacionalidade. O artigo 1.º define pela primeira vez nezakonito zapošljavanje e posebno iskorišćavajući uslovi rada, as condições de trabalho especialmente exploratórias. O artigo 9.º divide a norma sancionatória em duas: o novo artigo 210 pune a pessoa coletiva com 3.000 a 15.000 euros por facilitar entrada, permanência ou trânsito irregular de estrangeiro, o empresário em nome individual com 3.000 a 12.000 e — a linha que interessa a quem arrenda — a pessoa singular que presta serviços de alojamento com 1.000 a 4.000, e com 2.000 a 4.000 as restantes pessoas singulares, e o novo artigo 210a atinge o empregador pessoa coletiva com 1.000 a 10.000 euros em onze previsões, com proibição de atividade até seis meses. Transpõem-se a Diretiva 2009/52/CE e, para a proteção das vítimas, a Diretiva 2004/81/CE do Conselho. O Governo pede o processo de urgência do artigo 151.º do regimento, invocando o capítulo 24.

O que o texto não diz

Não fixa percentagem mínima de participação para o «proprietário de uma sociedade»: o artigo 70.º n.º 4 usa mais de 51 % na via do gerente, e o 70g não o repete. Também não diz quando o dinheiro tem de estar aplicado, porque o n.º 1 pede prova de investimento e o n.º 5, na prorrogação, prova de investimentos realizados, sem definir a diferença. Não identifica quem aprova o «projeto empresarial aprovado» para o qual o escrow é libertado. E não liga qualquer consequência à regra dos 15 dias: nem o artigo 83.º, que enumera as causas de cessação da autorização, nem o novo 210a a mencionam, e o projeto não altera nenhum deles.

Há ainda um desalinhamento de redação que convém anotar antes de citar números. O n.º 5 começa por «Uz zahtjev iz stava 3 ovog člana», mas aqui o n.º 3 regula a validade e o pedido está no n.º 4. Nos artigos 70a, 70b e 70v a mesma frase encaixa, porque ali o pedido é mesmo o n.º 3; inserir a definição de investimento deslocou a contagem numa unidade. Registamos a redação como está, sem lhe atribuir intenção.

Como lemos isto

É um projeto, não um calendário. Foi entregue, remetido à Comissão Legislativa e à Comissão do Sistema Político, Justiça e Administração, e a 7 de setembro de 2026 o processo não mostra aprovação nem alterações. Se passasse assim, o artigo 10.º fá-lo-ia entrar em vigor ao oitavo dia da publicação no jornal oficial, pelo que ainda não há data a partir da qual contar para trás.

Para quem tem passaporte português, estes meses servem para preparar e não para entregar. O dossiê de origem dos fundos, a escolha entre entrada de capital, aquisição de quota e escrow, e o sentido que «realizado» terá na prorrogação são trabalho de agora. Para quem tem apenas passaporte brasileiro, o artigo 70g não se aplica, e as vias continuam a ser o imóvel do artigo 56.º e o trabalho ou a gerência dos artigos 69.º e 70.º — uma diferença que tem peso em famílias com dupla nacionalidade.

O que não muda

O artigo 38.º n.º 1 mantém uma lista fechada de motivos de residência temporária e o projeto não lhe toca: reagrupamento familiar, estudos, programas de intercâmbio, especialização e formação prática, investigação, tratamento médico, motivos humanitários, uso e disposição de um direito sobre imóvel próprio no Montenegro (alínea 8), serviço religioso, Serviço Voluntário Europeu, apatridia, trabalho (alínea 12), nómada digital (alínea 12a) e outros casos previstos em lei ou tratado. O investimento continua a não constar dessa lista, e por isso a nova autorização foi colocada sob o trabalho. A base tributável de 150.000 euros do artigo 56.º n.º 4 mantém-se, tal como a dispensa do n.º 5 para nacionais da UE, Islândia, Listenstaine, Noruega e Suíça. Mantêm-se também a prova de 5.000 euros anuais de impostos e contribuições do artigo 70.º n.º 4 e a dispensa gémea do n.º 8. A nacionalidade rege-se por outra lei e não é afetada.

Como verificar

O processo é público. Em zakoni.skupstina.me/zakoni/web/app.php/akt/4354 estão dois documentos: o projeto e o despacho de remessa de 2 de setembro de 2026. O projeto é um PDF digitalizado; as redações citadas estão nas páginas cinco e seis, e a expressão a localizar a olho é «najmanje 250.000 eura». O campo a vigiar é o do estado: enquanto disser «U proceduri», não há lei. O texto consolidado da lei alterada é publicado pelo Governo em wapi.gov.me; os artigos a ler com o projeto são o 43.º, o 56.º, o 70.º e do 70a ao 70v.

Se o seu plano montenegrino passa por uma sociedade ou por uma obra, as licenças e a fiscalidade pesam tanto como o título de residência; descrevemos essa cadeia na nota sobre o investimento hoteleiro no Montenegro. Acompanharemos a passagem pelas comissões e anotaremos aqui a data de aprovação e o número do jornal oficial quando existirem; o fio dos textos é mantido em Atualizações legais.

Perguntas frequentes

Já está em vigor? Posso apresentar pedido ao abrigo do artigo 70g?

Não. A 7 de setembro de 2026 o projeto está «U proceduri»: entregue e em comissões, não aprovado. O artigo 70g ainda não existe na lei dos estrangeiros e nenhuma autoridade pode emitir um título com esse fundamento. Se for aprovado nestes termos, o artigo 10.º prevê a entrada em vigor ao oitavo dia da publicação no «Sl. list CG».

Não sou cidadão da UE. O artigo 70g aplica-se-me?

O título não. O n.º 1 está escrito para «um preduzetnik ou proprietário de uma sociedade que seja cidadão da UE», e nenhum número o estende a nacionais de Estados terceiros; a Islândia, o Listenstaine, a Noruega e a Suíça, nomeadas noutras dispensas desta lei, não aparecem aqui. As disposições do mesmo projeto sobre empregadores e transportadores aplicam-se independentemente da nacionalidade.

O que conta exatamente como os 250.000 euros e quando tem de estar aplicado?

O n.º 2 indica três formas: entrada direta de capital em sociedade montenegrina nova ou existente, aquisição de quota nessa sociedade, ou fundos em conta escrow até serem afetados a um projeto empresarial aprovado, em todos os casos com prova da origem do dinheiro. O n.º 1 pede prova de investimento na entrega e o n.º 5 prova de investimentos realizados na prorrogação; a distância entre as duas expressões não vem definida.

O que significa na prática a regra dos 15 dias?

O n.º 7 exige que o cidadão da UE permaneça pelo menos 15 dias no Montenegro durante a validade do título. O projeto não liga consequência ao incumprimento e não altera o artigo 83.º, que enumera as causas de cessação da autorização de residência e trabalho. Enquanto o texto aprovado não resolver isto, trataríamos esses 15 dias como presença que é preciso poder documentar, e não como formalidade.

Emprego estrangeiros no Montenegro. O que muda para mim?

A exposição a coimas. O novo artigo 210a prevê de 1.000 a 10.000 euros para o empregador pessoa coletiva, de 300 a 2.000 para a pessoa responsável dentro dela e de 300 a 6.000 para o preduzetnik, além de proibição de atividade até seis meses. Entre as onze previsões estão empregar estrangeiro em situação irregular, não celebrar o contrato de trabalho nem inscrever na segurança social nas 24 horas seguintes à emissão do título, e não informar o ministério nos oito dias seguintes ao fim do trabalho.